domingo, 15 de setembro de 2013


Opinião
POLÍCIA DE COVARDES
por Rafael Vianna

Estamos transformando a polícia em uma instituição de covardes. Hoje, poucos policiais têm o ímpeto de agir imediatamente diante de uma injustiça ou de uma situação delituosa. Poucos têm a vontade de investigar e se expor às ruas e a seus conflitos, poucos têm a inconsequência de ir, quando a prudência normal e comum recomendam não ir.

A polícia não é uma profissão de certezas, de escolhas fáceis e certas, de ausência de riscos, de legalidades simples dos bancos acadêmicos. Polícia é risco e incerteza 24 horas do dia. Não existe a possibilidade de esperar um criminoso sacar a arma e apontá-la para você antes de você decidir atirar. Não se pode pedir sempre um mandado de busca para entrar em uma casa. Não existe sempre situações claras de risco e de flagrante delito que lhe permitam saber 100% do sucesso de suas escolhas e suas ações. Nas ruas é sacar a arma antes e atirar, entrar sem pensar para surpreender e não ser surpreendido. A polícia não é uma profissão de certezas e legalismo acadêmico. Não podemos transformar nossos policiais em pessoas acuadas e com medo de agir, com medo de responder por crimes, por abusos, por excessos.

Claro que não se pode permitir tudo, autorizar desmandos, torturas, abusos de autoridade. Mas não se pode exigir certezas e antecipações que os imprevistos das ruas não permitem. Não podemos colocar nossos policiais em uma situação de desconfiança prévia em relação aos seus atos que os imobilizem, não podemos exigir garantias que não podemos dar aos nossos policiais. Prejulgando ações policiais como de má-fé, transformamos nossos protetores em covardes que têm medo da decisão, que preferem não sair às ruas para investigar e prender. Hoje na polícia é mais cômodo não fazer nada, pois aí você evita os riscos das decisões incertas e os procedimentos que delas advém. Ocorre que isso é o fim da polícia, de nossos cães pastores, de nossos protetores.

Desgastes, equívocos e erros sempre existirão na atividade policial; mas nenhum erro será maior para a sociedade do que transformar a polícia em um lugar de covardes burocratas, que se escondem atrás de procedimentos e regras acabadas que não resolvem o imediatismo do pavor de um crime acontecendo.

Precisamos de policiais um pouco inconsequentes – pois ninguém em um raciocínio lógico e normal vai enfrentar criminosos que não tem nada a perder ou a ganhar - que não tenham medo da morte, que anseiem pelo confronto, que tenham coragem de ir quando a prudência mandar não ir. Não existe o discurso do herói, do fazer o bem para a sociedade, do transformar o mundo em lugar melhor quando apontam uma arma para você. Ninguém vai pra rua quando o confronto é iminente e a derrota certa, seja morrendo ou voltando vivo para casa. Logo nossa polícia será formada apenas por covardes. Logo o caos habitará entre nós.


Fonte:http://delegadorafaelvianna.blogspot.com.br/2013/09/policia-de-covardes.html

sábado, 6 de julho de 2013

Coisa de Chinês

Por Ismael Benigno

Assisti, ontem, um documentário sobre o poder da internet 2.0 no ‘protagonismo anônimo’ de tantos blogueiros, tuiteiros e facebuqueiros no mundo.

O filme trazia algumas imagens interessantes da China, da Estônia e algum dado sobre a ‘balcanização’ da web, com redes de sites dedicados à pregação da Jihad islâmica e o recrutamento de potenciais terroristas ao redor do mundo. Era o ponto do filme: o poder avassalador da internet de catalizar pequenas revoluções, como os protestos no Irã, mas também de municiar o Mal com as mesmas facilidades de comunicação.

O trecho mais interessante do filme, porém, era o comportamento da República Popular da China para conter pensamentos liberais. Por lá, o Governo percebeu que não adiantava controlar o conteúdo de conglomerados de comunicação ou motores de busca. São alvos fáceis, porque poucos e imensos. Mas como conter meio bilhão de potenciais repórteres amadores, fazendo fotos de escolas destruídas, mendigos ou crianças feridas?

Então o Governo criou o ‘Exército dos 50 centavos’, um batalhão de 30.000 blogueiros e tuiteiros que publicava mensagens e artigos elogiosos ao Regime nas redes sociais, por 50 centavos cada peça. A estratégia, tão simples quanto patética, caiu no descrédito. Como em qualquer ponto do planeta, há um quociente mínimo de inteligência no ato de participar das redes sociais. O povo percebeu que os artigos pró-governo sempre ocupavam espaços de destaque nos sites.

O exército de bajuladores do regime comunista chinês custou muito dinheiro público, foi descoberto pelos usuários da rede e, no fim, virou um monumento à burrice de quem insiste em menosprezar a inteligência alheia. A web é a maior invenção do homem moderno porque mostra o mundo como ele é – e ele não é bonito, ordeiro, justo nem bondoso. Se você achar espaços públicos muito perfeitos e bonitos na internet, aquilo não é internet, é algum exército dos 50 centavos fraudando a internet.

A China tem dessas coisas.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Neolilberalismo e neoliberais



Roberto de Oliveira Campos concedeu, nos anos 1990, ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, uma entrevista na qual dizia não conhecer o neoliberalismo e sim neoliberais.

Segundo Campos, o neoliberalismo é apenas um produto do liberalismo econômico neoclássico. É uma redefinição do liberalismo clássico, influenciado pelas teorias econômicas neoclássicas. Logo não há uma escola neoliberal e sim uma escola liberal. Sendo assim, concluiu, o que existe por aí são apenas pessoas que aderiram ao pensamento liberal e não um pensamento neoliberal propriamente dito.

A origem do neoliberalismo deve ser remetida à Escola Austríaca, mais precisamente aos economistas Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek (este discípulo daquele), que formularam o pensamento econômico a partir da Lei de Say e da teoria marginalista, contestadas pelo britânico John Keynes, contemporâneo de ambos.

O pensamento de Lorde Acton, de Adam Smith e de Jean B. Say foram fundamentais na construção e no desenvolvimento do pensamento de Hayek, pois enfatizava a importância central da moralidade no desenvolvimento de uma civilização avançada. Para Hayek, uma economia próspera e o desenvolvimento da lei como um processo evolucionário requerem uma sólida ordem moral. Sem isso não haverá uma sociedade saudável, próspera e livre.

A economia mundial experimentou praticamente duas décadas de crescimento contínuo. O lastro de tal crescimento está nos princípios liberais esboçados por Smith, Ricardo, Say, os neoclássicos, Hayek, Mises, Friedman, etc. O modelo, é verdade, tem suas limitações, mas garantiu crescimento econômico, superou uma sucessão de crises e legou à periferia do capitalismo um lugar de destaque no cenário mundial, com China, Índia, Rússia e Brasil (BRIC) apitando alto sobre os destinos do mundo econômico.

Quando a crise econômica engolfou os Estados Unidos e a Europa, na virada do século/milênio, não faltaram os que euforicamente apontaram a dura realidade e como a alegria é fugaz. Como por encanto, esquecemos que o subdesenvolvimento não é uma doença crônica, nem a periferia do capitalismo é o saco de pancadas do mundo desenvolvido.

As teorias terceiro-mundistas serviram durante anos para difundir uma tristeza generalizada contra o desenvolvimento e o risco que seria viver num mundo globalizado. Os seus formuladores e simpatizantes vibram quando há sinais de crise no ar. É o momento em que vêm à cena os Antônios Conselheiros, abundam os seminários e os fóruns alternativos que proclamam o fim do sistema e a emergência de um outro, mais justo e humano, no qual não haverá pobreza, pois a justiça social irá desabrochar e enraizar-se fortemente. Os mesmos profetas do caos não piam quando a economia mundial vai bem, apenas usufruem das benesses do capitalismo explorador e injusto e torcem para que o trem saia do trilho, pois só assim poderão tornar audível a cantilena tosca e atrasada que adoram difundir.
Lula, Dilma, Mantega, Mercadante, Mirian Belchior e outros deste e do governo anterior (nem Serra, FHC e outros tucanos de alta ou baixa plumagem e democratas do ex-pefelê) não eram, não são e nunca serão liberais em política, tampouco em economia. Alinharam-se com o propalado Consenso de Washington. Os tucanos são menos intervencionistas que os petistas; os demo-pefelistas são patrimonialistas até a alma e só arrotam liberalismo.

Como a turma do PT-governo sabe que a história e a política são nutridas por versões, aderem ao Consenso de Washington apenas por conveniência tática. Faz com o sistema que disseram combater uma aliança conjuntural, oportunista, momentânea. Liberais na aparência e intervencionistas na essência.

Sérgio Luiz Bezerra Trindade é Professor do IFRN (slbtrindade@yahoo.com.br)
Veiculado em 24 julho 2012 no Portal http://jornaldehoje.com.br/

sábado, 11 de maio de 2013

Novela "Salve Jorge" - Federação Nacional dos Assistentes Sociais - FENAS, Adverte: Nem Wanda nem Adalgiza são Assistentes Sociais!



NOTA PÚBLICA

A Federação Nacional dos Assistentes Sociais – FENAS, entidade de representação sindical e defesa intransigente dos direitos da categoria vêm inicialmente parabenizar a novelista Glória Perez por trazer à baila o oportuno tema ‘tráfico humano’, aqui entendido como o “recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”. (OIT. Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Brasil: 2004-2011. Avaliações e Sugestões de Aprimoramento de Legislação e Políticas Públicas. Disponível em: www.oitbrasil.org.br

Não obstante, mesmo reconhecendo a relevância da publicização da temática, a FENAS vem através desta expressar sua indignação com a evolução da trama que atribui ao profissional de Serviço Social (suposta assistente social) a autoria pelo agenciamento e sequestro de crianças, quando na realidade, sabe-se que esses profissionais se dedicam com afinco, compromisso e ética na emissão de relatórios, laudos e pareceres técnicos objetivando concessão legal de guarda e/ou adoção das crianças, sempre em compasso com o Código de Ética profissional, Lei de Regulamentação da Profissão, Política Nacional de Direitos Humanos e acima de tudo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Ressaltamos que o Serviço Social é uma profissão séria, com no mínimo quatro anos de bacharelado, três anos de mestrado e quatro anos de doutorado. Além disso, diferentemente do que vem demonstrando a novela Salve Jorge, o Assistente Social é um profissional que defende intransigentemente os direitos de cidadania, primando por uma ordem societária mais justa, humana e igualitária, sem explorados e exploradores. Atua na gestão e execução das políticas públicas, embasado no projeto ético político da profissão, construído e consolidado coletivamente ao longo dos anos.

Nesse sentido, solicitamos que a Rede Globo e a Novelista Glória Perez possam reverter, emergencialmente, a imagem danosa ao Serviço Social através da personagem ‘ Wanda’ (falsa assistente social), cujos valores e competências profissionais muito se distanciam dos perseguidos pelos reais assistentes sociais.

Certos de contarmos com o apoio, despedimo-nos cordialmente,

ELIANE DE LIMA GERBER

Presidente

sábado, 27 de abril de 2013

O BRASIL TEM SAUDADE DO ARBÍTRIO?





Prezados Senadores

Foi com muita tristeza que assisti na tarde de ontem, a votação do Projeto de Lei 132/2012, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que dá autonomia e super poderes aos delegados de polícia do Brasil.

Digo isso porque passei quase 30 (trinta) anos trabalhando na honrosa Polícia Federal. Antes da nossa Constituição Cidadã, de 1988, os delegados de polícia federal tinham poderes de expedirem mandados de busca e apreensão, mandados de prisão, mandados de condução coercitiva, etc, e nesta época o que se via dentro da PF era uma tremenda falta de respeito aos direitos humanos, pois pessoas que nada tinham a ver com a investigações eram presas inocentementes, sendo encaminhadas para as custódias do Departamento de Polícia Federal sem terem cometidos nenhum crime, como também, várias residências de pessoas de bem eram invadidas pelos policiais federais em razão de que eram obrigados a cumprirem os mandados acima expedidos pelos delegados de polícia federal.

Com a nova Constituição Federal de 1988, batizada pelo ex-deputado federal ULISSES GUIMARÃES, de Carta Cidadã, esses "poderes" que detinham os delegados de polícia de todo o Brasil foram suprimidos e tudo que tivesse que ser feito no bojo das investigações policiais teriam e terão que ser autorizadas pelo Poder Judiciário, com a ciência dos Ministérios Públicos.

O objetivo dos delegados de polícia é, agora, terem autonomia nas investigações nos inquéritos policiais, mas, num futuro bem próximo eles irão querer ter a mesma autonomia dos membros do Poder Judiciário para quererem expedir medidas cautelas, mandados de prisão, mandados de busca e apreensão, mandados de condução coercitivas, determinarem autorizações de interceptações telefônicas, quebra de sigilo fiscal, bancária e patrimonial, dentre tantas outras medias que, hoje, só podem ser autorizadas pelos membros da magistratutura.

Em razão do exposto para que os nobres parlamentares não sejam vítimas de investigações arbitrárias, absurdas e ilegais, este SINDICATO DOS POLICIAIS FEDERAIS NO ESTADO DA PARAÍBA, juntamente com os seus 540 (quinhentos e quarenta) filiados, informam a Vossas Excelências que SOMOS CONTRA a este projeto de lei 132/2012 e contra a PEC 37/2009, pois caso este projeto e esta proposta de emenda à Constituição sejam aprovados, corremos sérios riscos de voltarmos a viver num País sem democracia plena, como também, poderemos voltar a viver num País dos velhos tempos negros da ditadura.

Atenciosamente,

Sílvio Reis Santiago. Presidente do Sindicato dos Policiais Federais da Paraíba-SINPEFPB.



sábado, 9 de fevereiro de 2013

POLÍCIA, CENSURA e ENTULHOS AUTORITÁRIOS

Trabalhar na Polícia Federal não é fácil! Além das peculiaridades da função policial federal, existe, para aqueles que buscam realização, bem longe do tripé STATUS-SALÁRIO-ESTABILIDADE, toda a carga de estresse produzida e direcionada para aqueles que OUSAM QUERER MUDAR O MUNDO em nome de um objetivo maior, que se materializaria numa POLÍCIA FEDERAL MODERNA e em CONSONÂNCIA COM OS MELHORES MODELOS DE POLÍCIA DO MUNDO! Na sequência reproduzo artigo sobre o perigo da volta do AUTORITARISMO:


"Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o País; o problema é o guarda da esquina". O alerta, feito em 13 de dezembro de 1968, ao general Costa e Silva, pelo seu vice Pedro Aleixo, demostrava a preocupação com os riscos de excessos e abusos na interpretação e aplicação do Ato Institucional nº 5.

De nada adiantou a advertência do político mineiro, um dos poucos que ousou discordar do famigerado decreto. Apesar do absurdo jurídico, o AI-5 foi assinado e demarcou uma das épocas mais sombrias da história do País, conhecida como “anos de chumbo”, iniciada com o golpe militar de 1964 e lembrada pela forte censura e repressão política, sindical e cultural. Deu no que deu: alguns guardas da esquina viraram torturadores, outros até se sentiram no direito ou dever de “desaparecer” com militantes subversivos, tudo em nome da lei e da ordem.

O termo “cães de guarda” foi empregado por Serge Halimi, escritor do Le Monde Diplomatique e professor da Universidade de Paris, autor do livro Os novos cães de guarda (Vozes, 1988), um ensaio sobre o poder dos jornalistas e da imprensa, que eram coniventes e servis com o poder político opressor.

A pesquisadora Beatriz Kushnir, doutora em História pela Unicamp, tomou emprestada a expressão no livro “Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988” (Boitempo, 2004), para definir aqueles jornalistas que deixaram as redações e se tornaram técnicos da Divisão de Censura de Diversão Pública (DCDP), órgão vinculado ao Departamento de Polícia Federal, bem como alguns policiais federais de carreira, que acumularam o cargo de censor e repórteres, colaborando com a repressão e a censura no pós-1964, dentro de veículos de imprensa, como o “Jornal da Tarde”, do Grupo Folha da Manhã.

Os livros “O que resta da ditadura: a exceção brasileira” (Boitempo, 2010) e “Repressão e resistência: censura a livros na ditadura militar” (Edusp, 2012), para citar apenas mais dois títulos recentes sobre o tema, analisam a herança deixada pelo regime militar na estrutura jurídica, nas instituições e práticas políticas, na cultura e em outras esferas da vida social brasileira e os bastidores dos mecanismos da censura oficial.

Na Polícia Federal, o legado jurídico mais esdrúxulo daquele período foi a Lei nº 4.878/1965 e o Decreto nº 59.310/1966, que a regulamenta, que dispõem sobre o regime jurídico dos policiais civis da União e do Distrito Federal. Ambos foram sancionados pelo general Castello Branco, que assumiu o poder em abril de 1964 e lançou um “pacote de bondades” que incluiu, dentre outras medidas, a suspensão de direitos políticos de cidadãos, cassação de mandatos parlamentares e dissolução de partidos políticos, proibição de greves e uma nova Constituição, em 1967.

Com evidente influência militar, a Lei nº 4.878/65 antecipou a doutrina do AI-5 no âmbito da PF. Além de definir a função policial como fundada na “hierarquia e disciplina”, transcreveu trechos de regulamentos da caserna, em especial os capítulos que tratam dos deveres, transgressões disciplinares e penalidades, que passaram a ser aplicáveis aos policiais federais, embora servidores civis.

Foi o suficiente para que os guardas da esquina e cães de guarda da Polícia Federal – então dirigida por coronéis e generais - passassem a aplicar, a torto e a direito, ao bel prazer de caprichos pessoais, as normas e pareceres – elaborados por eles mesmos – para punir os servidores que se não se enquadrassem nos seus padrões de conduta.

Àquela época, críticas ao regime vigente, atividades políticas e sindicais eram consideradas casos de polícia, literalmente, sujeitos à temida Lei de Segurança Nacional. Os direitos às atividades políticas e sindicais dos policiais federais só foram assegurados com o advento da Constituição de 1988.

Mais de três décadas após o fim do AI-5, revogado em 1978, e 24 anos após o fim da censura, os novos cães de guarda da PF ainda farejam atos subversivos nos corredores do órgão. Agora não mais para vetar filmes, peças teatrais, livros e notícias de jornal, nem para monitorar lideranças estudantis ou sindicais. Seus alvos passaram a ser o público interno, os próprios servidores da instituição.

Mas se engana quem imagina os atuais ditadores da PF como remanescentes de antigas gerações de censores da DCDP ou de chefes das Delegacias de Ordem Polícia e Social (Dops), cujas atividades incluíam vigilância de lideranças partidárias, estudantis e sindicais. A maioria dos atuais “guardas da esquina”, que se autodenominam “superiores” em relação aos colegas de trabalho “subalternos”, é formada em boas faculdades de Ciências Jurídicas. Alguns ainda eram adolescentes quando a prática da censura foi abolida.

Servidores mais atuantes e críticos (ou menos subservientes, tidos como “rebeldes” ou “indisciplinados”), em especial representantes sindicais, são os mais visados. Assédio moral, retaliações e perseguições pessoais são práticas comuns.

Na ânsia de reafirmar o bordão de hierarquia e disciplina, os guardas engravatados da PF empunham os cassetetes ameaçadores e mandam instaurar procedimentos disciplinares e até inquéritos policiais, seja com a finalidade de punir, de reafirmar o poder de mando para enquadrar, ou apenas para humilhar, desmotivar, enfim atazanar a vida dos “subalternos”. De regra, tentam intimidar ou punir aqueles que ousam discordar ou criticar abusos, privilégios, desmandos ou mera incapacidade de gestão.

Os novos cães de guarda da PF não toleram críticas – mesmo aquelas de interesse público. Criminalizam artigos de opinião e matérias jornalísticas, sujeitos aos rigores da lei da ditadura. Reivindicações, manifestações e greves são atos subversivos intoleráveis. Através de pareceres, despachos e canetadas, os guardas da esquina tentam impor condutas não previstas ou até vedadas pela lei, como os recentes atos de alguns chefes para obrigar servidores a usar telefones pessoais em serviço ou veículos com documentação irregular.

Além de leis, decretos e atos normativos anacrônicos, ainda em vigor, daquele período restou uma herança de cultura de gestão autoritária e centralizadora, dissimulada em práticas e posturas militarizadas de tratamento interpessoal.

Resquícios dessa cultura castrense estão até em “código de ética” da associação que representa os membros da dita “classe dirigente”, como recomendação para “evitar-se promiscuir com subordinado hierárquico, dentro ou fora de suas funções”. O apartheid funcional entre cargos da mesma carreira fica explícito. Por ironia, de forma paradoxal, até os que acham superiores às vezes se insurgem contra a “lei da mordaça”.

Em pleno século XXI, os novos guardas da esquina e cães de guarda da PF dão sinais de saudosimo de um tempo obscuro, de triste memória. Tentam camuflar sua vocação autoritária, insegurança e incapacidade de liderança sob o manto de entulhos legais, em nome de uma visão ultrapassada de hierarquia e disciplina.

Josias Fernandes Alves é Agente de Polícia Federal, formado em Jornalismo e Direito, Diretor de Comunicação da Fenapef e conselheiro do Sinpef/MG. josiasfernandes@hotmail.com
Fonte: Agência Fenapef
http://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/40861

sábado, 26 de janeiro de 2013

O que está acontecendo com a PF?


Texto postado no Blog do jornalista Luiz Nassif rebate matéria da Folha de S. Paulo que atribui a queda no número de prisões feitas pela PF à nova Lei Penal. Conforme o texto, a Polícia Federal está emperrada e trava uma guerra interna sem precedentes. "A PF trava a maior batalha interna de sua história. delegados tentam a todo custo manter uma cadeia de privilégios e benefícios e esvaziar o mérito dos demais policiais na condução das investigações. Apoiam-se no famigerado inquérito policial de pouca eficiência e muita burocracia, em pleno descompasso com a dinâmica da moderna criminalística.
Senhores, que papo furado é esse? Investiguem e verão que a PF tá emperrada desde a greve, já que o governo se recusa a negociar e a apresentar uma proposta que formalize as atribuições de agentes, escrivães e papiloscopistas e reconheça as atribuições de nível superior exercidas por estes cargos e exigidas em concurso público desde 1996.

Enquanto isso, dentro de sua estrutura interna, convenientemente a quem se beneficia dos esquemões do Brasil, a PF trava a maior batalha interna de sua história. Delegados tentam a todo custo manter uma cadeia de privilégios e benefícios e esvaziar o mérito dos demais policiais na condução das investigações. Apoiam-se no famigerado inquérito policial de pouca eficiência e muita burocracia, em pleno descompasso com a dinâmica da moderna criminalística. Por isso no mundo inteiro ele não existe. Por isso no mundo inteiro o policial cresce, se estimula e se desenvolve e se especializa dentro de uma unica carreira policial, por isso ele atua diretamente com o Ministério Público e com o Juiz, por isso o inquérito lá não existe. Senhores, pagar um salário de quase 20.000 reais para um cargo que encaminha papéis produzidos por policiais de gabaritada formação e que poderiam lidar diretamente com o Ministério Público é de um arcadismo sem consonante no mundo moderno.

A queda da produtividade se deveu ao simples fato de que agentes, escrivães e papiloscopistas deixaram para os delegados as tarefas das quais eles se arrogam únicos legitimados, e com isso justificam seus altos salários. Mas a realidade é que polícia é feita por policial, é atividade multidisciplinar, exercida por policiais devidamente bem formados como são todos os policiais federais, atividade além de complexa de volume monstruoso de trabalho impossível de ser exercida sem o devido reconhecimento e estímulo. É atividade proativa de intensa dedicação e voluntarioso empenho. O governo corrupto deste país não tem interesse em resolver o problema da policia federal. Aliás pra ele é perfeito o racha que hoje existe e que afeta diretamente a instituição e os brasileiros. Ele sequer mostra a verdade do que está acontecendo pois detém o monopólio dos meios de comunicação. Cabe a jornalistas descompromissados com o grande sistema expor a verdade. Por favor senhores cuidado com essas desculpas.

Vejam que a quantidade de drogas apreendidas na fronteira, em algumas regiões, despencou de 30 ton/mes para 30kg/mês. reflexo da falta de reconhecimento e do abandono do governo para com os policiais. Quando este dado foi divulgado o governo defendeu que a queda se devia ao fato de acordos firmados com países narcoprodutores e que a repressão estaria sendo feito na origem. balela!!!!! Só falta, como tudo, o governo justificar o abandono das típicas funções de Estado por conta das metas de superavit e do equilíbrio fiscal. Enquanto isso ele monta empresas públicas e subsidiárias para lotear o estado e distribuir cargos públicos para adversários políticos e apaniguados.

É uma pena que no regime totalitário em que vivemos hoje, no governo mais corruPTo que por aqui já passou, estejamos convivendo com uma Policia Federal fraca e de mãos atadas.

luiz nassif